Dom 28 Fev 2010
Esta semana fiquei sabendo de um acidente de moto de um velho amigo, com quem pudemos compartilhar durante um bom tempo alguns sonhos na Zazou, e que ficou com risco de perder movimentos e locomoção. Estamos torcendo aqui pela sua total recuperação.
Isto me fez parar para pensar um pouco no assunto, e como este blog fala de gravidas, e aproveitando esta onda da novela com a personagem na novela Viver a Vida da Aline Moraes, Luciana engtavidando de gêmeos depois de começar a namorar o médico Miguel (Matues Solano). Aliás a história de Luciana é inspirada na vida da jornalista Flávia Cintra, que é mãe de gêmeos e tetraplégica, achei que seria legal trazer um exemplo real.
Estou falando da psicóloga Tatiana Rolim, que até já é bem conhecida nas páginas de jornais e revistas pela sua história de vida, quando um acidente aos 18 anos a levou para uma cadeira de rodas, mas não tirou a sua independência, sua liberdade. Na época, isso há 15 anos, tinha um namorado, mas por conta do comodismo dele “e por ele só pensar em casamento, ao invés de aproveitar a vida”, ela resolveu seguir o próprio rumo.

Cursou psicologia, durante os estudos ela conseguiu que a faculdade colocasse rampas para o seu acesso à sala de aula, morou cinco anos sozinha e lançou o livro “Meu andar sobre rodas” (editora Scortecci), obra que já está na segunda edição e aborda suas principais dificuldades da rotina como paraplégica.
“Antes do acidente tinha uma vida sexual dentro dos ‘padrões’. Depois disso tive que redescobrir o meu corpo. Eu sentia desejo, por isso me estimulei de outras formas. As pessoas acham que o prazer está apenas nas genitálias, há também pescoço, mamilo, língua, ou mesmo o sexo oral. Precisei ousar e buscar a minha sexualidade”
Dançarina, modelo e eleita em 2004 para conduzir a tocha olímpica dos Jogos de Atenas, ela esteve dois empregos por muito tempo, mas hoje só atende em seu consultório por um motivo mais do que especial: em breve Tatiana será mãe. atualmente Tatiana está com quatro meses.
Ela contou ao site Vila Filhos como é a experiência da gestação. Veja abaixo uma entrevista.
1) Como foi o seu planejamento para a gravidez?
Desde que conheci o meu marido e nos casamos já pensávamos ter um filho (o seu atual marido a viu pela primeira vez em um programa de televisão, os dois começaram a trocar e-mails e começaram a namorar). Ele conta que estava a procura de uma pessoa inteligente e madura. Eu estava na mesma sintonia e por isso logo começamos o relacionamento. Percebi de cara que ele era o homem da minha vida. Após cinco anos achei que era o momento de engravidar.
2) Na condição de paraplégica, quais são os riscos que você tem em uma gestação?
Antes de engravidar fiz todos os exames necessários, hormonais, e meu médico falou que poderia levar uma gravidez tranquilamente, a minha lesão medular não é tão grave. Tenho ciência de que meus membros inferiores ficam paralisados e posso ter alterações circulatórias, o que deixará os pés extremamente inchados. A falta de oxigênio por conta da pressão da pele pode causar feridas mais sérias. Por conta de ficar na cadeira, tenho que controlar minha bexiga e intestinos, por isso, tenho acompanhamento de uma nutricionista que me indica uma alimentação rica em fibras para meu intestino funcionar bem. Isso tudo implica na minha gestação por conta de ser cadeirante.
3) Quais foram as principais mudanças na sua rotina por conta da gravidez?
Além de apenas ficar no consultório, agora tenho mais tempo para fazer meus exercícios. De manhã atendo meus pacientes e a tarde faço alongamentos e fisioterapia, quando fico em pé. Tenho que controlar o meu peso, não só para minha saúde, mas também por conta de ter que trocar a cadeira de rodas para uma mais espaçosa nos quadris. E hoje em dia uma cadeira de boa qualidade é quase sete mil reais, não tenho condições para isso. O meu obstetra comentou que para o bebê na há riscos, porque fico sentada e ele se desenvolve normalmente. A mãe é que precisa se cuidar.
4) E o parto, você já chegou a conversar com o seu obstetra sobre isso?
Será cesariana. Não sei se será uma anestesia geral ou local.
5) Você já está preparando e adaptando a sua casa para receber o bebê?
Eu consigo fazer de tudo em casa, lavar louça etc, adaptei a casa do meu jeito. Durante a licença-maternidade vou ficar na casa da minha mãe que é enfermeira e tem uma boa bagagem. Ela vai me ajudar muito. Eu sempre tive medo de ter filhos porque priorizei muita a minha liberdade, mas hoje busco outro tipo de liberdade, quero muito ser mãe. A minha preocupação é mais com o acesso ao berço. Tenha a idéia de conversar com empresas, engenheiros, para que me ajudem a desenvolver algo para ter melhor contato com meu filho.
Conheça mais dela em: www.tatianarolim.com
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